Planejamento estratégico e organização do processo de pesquisa

Comece a sua rotina acadêmica com planejamento e organização, isso evitará problemas futuros. Se estiver no meio do processo, já deve ter percebido a importância de se organizar e planejar para realizar a pesquisa.  

Há estudantes que se perdem e acabam com crises de ansiedade e estresse por terem se descuidado dessa fase tão importante que é o planejamento. 

Independente da fase da pesquisa em que você se encontre, o sucesso na vida acadêmica depende da sua habilidade para lidar com o tempo e saber organizar a agenda para poder dar conta de estudar, divertir-se, conviver com a família e, ao mesmo tempo, realizar suas atividades acadêmicas com competência e sem comprometer a saúde física e mental.

É recomendável  realizar planejamento estratégico  e organizar as fontes bibliográficas, tanto para evitar o plágio quanto para se proteger da ansiedade e do estresse, durante todo o processo. É possível planejar a longo, médio e curto prazo. 

O planejamento de longo prazo deve conter todas as datas importantes do protocolo da pesquisa, tais como: data de entrega os relatórios, data da qualificação, prazos limites para os exames de proficiência em língua estrangeira, exigências de publicações em revistas, datas de congressos importantes, data da defesa final, entre outras tarefas de prazo estendido. 

O planejamento de médio prazo serve para organizar as atividades bimestrais ou semestrais, como datas de entrega dos artigos das disciplinas cursadas e outras atividades importantes do período.

Já o planejamento de curto prazo pode ser feito em duas etapas: semanal e diária. É de suma importância que esse tipo de planejamento inclua também as atividades pessoais do pesquisador.

 Existem vários aplicativos que podem ser utilizados para esse fim, com é o caso do Wunderlist, Trello, Asana, Evernote, Todoist entre outros. Um recurso, que têm sido bastante utilizado, em substituição às agendas, são os planners. Qual deles utilizar depende da preferência e do estilo de cada um. 

O detalhamento na agenda diária permite avaliar as atividades que são importantes e não urgentes; as importantes e urgentes; as urgentes mas não importantes e aquelas que não são nem importantes e nem urgentes. Isso possibilita que o pesquisador se blinde da autossabotagem e evite perder tempo com tarefas que poderiam ser delegadas a outrem.

Outra questão relevante a ser considerada no planejamento é a organização das fontes bibliográficas, dos fichamentos, das sínteses das leituras e dos dados da pesquisa.

DOCUMENTAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DAS INFORMAÇÕES

Saber organizar as fontes de informação desde o início da pesquisa, já durante as primeiras leituras, registrando-as de maneira sistemática e armazenando-as em locais diversos e de fácil acesso, facilitará muito a sua vida quando for escrever a monografia, a dissertação ou a tese.

Quem está na fase da escrita sabe do que estou falando. Eu acreditava que encher os meus livros de Post-its coloridos ajudaria. Cansei de perder tempo procurando algo que já havia lido e que seria perfeito para reforçar meu argumento, mas eram tantos Post-its em tantas obras que era como procurar uma agulha no palheiro. 

E quem não lembra dos fichários de papel para a organização das fontes em contraponto com os poderosos bancos de dados digitais?

São inegáveis as transformações que as Tecnologias da Informação e da Comunicação promoveram, tanto na metodologia das ciências e no desenvolvimento de trabalhos científicos, quanto na maneira como utilizamos o pensamento. 

João Mattar (2017) sugere que a escrita inicie de imediato, que não se leia primeiramente para iniciar a escrita apenas num segundo momento. O autor propõe que se faça as duas atividades simultaneamente, criando um arquivo no Word com uma estrutura de sumário. 

No entanto, para que isso seja viável, é preciso que tenhamos estruturado, previamente, um índice. Esta é uma possibilidade, porém, existem outras, como a técnica de curadoria, que é de grande ajuda quando associada ao uso de softwares que permitem estabelecer relações.

No meu entender, a criação de uma estrutura a priori pode engessar o trabalho científico em torno de tópicos que são previamente conhecidos do pesquisador, havendo o risco de não se visualizar outras possibilidades.

A curadoria é um método que permite a emergência do novo a partir do já existente; é como montar algo inédito pela combinação de várias peças de um lego.

Etimologicamente “curadoria” significa “atenção”, “cuidado”. Quando estamos imersos em uma pesquisa, devemos estar atentos a tudo que possa contribuir para a defesa do nosso argumento. 

Segundo Alexandra Caetano (2016-2018), fazer curadoria é combinar, resgatar, descobrir, trocar e recriar.  Esses são precisamente os passos que realizamos no processo da pesquisa. 

Escrever uma monografia, dissertação ou tese é como o trabalho de um bricoleur que problematiza a partir de seu acervo e inventa procurando nós de relações que fortaleçam argumentos e confirmem ou refutem hipóteses. 

Quando o repertório é muito vasto, a dificuldade de estabelecer essas relações aumenta, daí a importância de se poder contar com softwares que ajudem a estabelecê-las.

A pesquisa científica, impactada pelas descobertas na área da computação, exige novas competências dos pesquisadores, que precisam dominar softwares com potência para manipular grandes quantidades de informação e gerar novos nós de relacionamentos entre os dados.

Não é mais possível pensar a ciência, a pesquisa e a metodologia científica sem discutir os recursos da Tecnologia da Informação e da Comunicação que revolucionaram os métodos das ciências.  

Para além da sua apropriação e do seu uso, o advento da informática e das tecnologias digitais provoca uma revisão dos nossos conceitos de razão, pensamento e inteligência.

A inteligência é definida por Mattar (2017) como habilidade para estabelecer conexões entre as informações e traçar relações, abandonando aquele entendimento ultrapassado que considera a inteligência como informação armazenada. 

O desafio do pesquisador é, além de organizar o tempo e o processo da pesquisa,  saber lidar com a enorme quantidade de informações, com a volatilidade do conhecimento, que se alastra rápida e desordenadamente, e se apropriar dos recursos tecnológicos que são disponibilizados para auxiliar no estabelecimento de relações.

Ainda bem que a área computacional também avança, brindando-nos com softwares altamente eficazes na gestão de projetos. 

Esse é o caso de softwares como o NVivo, o AtlasTi e o Iramutec – que, além da compatibilidade com arquivos de textos com extensões diversas, permitem a importação de conteúdos de bancos de dados, planilhas e organizadores de fontes bibliográficas, tais como EndNote, Zotero, Mendeley, entre outros.

Como podemos constatar, pesquisar é uma tarefa complexa. Portanto, planejar e se organizar desde o início é fundamental para manter a tranquilidade e garantir a saúde física e mental.

A fim de minimizar as causas do adoecimento psíquico dos estudantes de pós-graduação e auxiliá-los no planejamento e organização da pesquisa, criamos o coaching em grupo Equilíbrio Emocional e Planejamento Estratégico, que integra um programa maior denominado SOS PÓS-GRADUANDOS. 

Se você deseja aprender mais sobre esse assunto, o módulo IV do curso vai abordar esse conteúdo com maior profundidade. Para mais informações, acesse: 

http://conteudos.meorientacademy.com.br/cursosos-pos-graduandos

REFERÊNCIAS

CAETANO, Alexandra. Curadoria de Conteúdos. Negócios Digitais na Prática (NDNP), 2016-2018. Disponível em: https://biblioteca.ndnp.com.br. Acesso em: 26 dez. 2018.

LÔBO, Mateus. O que é e porque você deve fazer curadoria de conteúdo. Edição 22/07/2014.  Disponível em: https://marketingcomdigital.com.br/curadoria-conteudo/. Acesso em: 26 dez. 2018

MATTAR, João. Metodologia Científica na Era Digital. 4ª ed. São Paula: Saraiva, 2017.

Sobre o Autor Dr. Ivane Almeida Duvoisin

Durante mais de trinta anos de experiência como professora universitária, Ivane Duvoisin, idealizadora do Me Orienta Academy, percebeu a dificuldade dos estudantes em lidar com a pressão do meio acadêmico e sentiu na pele o desafio que é dar conta das demandas que os profissionais têm nesse meio.

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