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Foto: Doran Erickson, Unsplash

Como o mindset afeta o desempenho dos estudantes?

"Uma simples crença a respeito de si mesmo orienta grande parte de sua vida."

Carol Dweck

Sabíamos que comentários pejorativos, como chamar crianças e jovens em desenvolvimento, de burros, poderiam causar danos à personalidade. O que não sabíamos é que repetir constantemente que são inteligentes também poderia afetá-los de forma negativa. É a maneira como os elogiamos que pode fazer a diferença, afirma Carol Dweck.

Dweck é psicóloga, professora na Universidade de Stanford, profunda conhecedora da personalidade humana e uma das maiores especialistas em psicologia social e psicologia do desenvolvimento.

Ela queria compreender como as pessoas lidam com os fracassos. Por isso, resolveu pesquisar como os estudantes lidavam com problemas difíceis. Para realizar tal pesquisa, Carol levou quebra-cabeças para os estudantes resolverem.

Nesses quebra-cabeças, o nível de dificuldade ia aumentando à medida que os estudantes resolviam desafios. Assim, ela foi observando suas reações e as estratégias que utilizavam.

Ela esperava encontrar diferenças na maneira como eles pensavam, sentiam e enfrentavam os desafios. Mas o resultado foi surpreendente!

Havia dois estudantes: um deles, de dez anos, diante de uma dificuldade maior, puxou a cadeira mais para perto e esfregou as mãos uma na outra, dizendo: “Adoro um desafio!”. O outro, diante do quebra-cabeças, com expressão de satisfação, afirmou: “Oba! Eu já esperava aprender algo novo com isso!”.

Carol ficou surpresa com o que presenciou: Os dois estudantes acima citados eram exceção, a maioria deles desistia diante dos primeiros fracassos A pesquisadora achava que as pessoas sabiam ou não sabiam lidar com os fracassos, mas que alguém pudesse vibrar e se entusiasmar com o fracasso era algo novo para ela.

Essas crianças traziam algo especial que merecia ser pesquisado. Elas não se deixavam abater pelo insucesso, nem mesmo imaginavam que estavam fracassando, sentiam-se estimuladas a aprender mais.

Foi esse fator que levou Carol a ir mais fundo na investigação sobre o comportamento e a personalidade das pessoas bem-sucedidas. Para ela, a atitude dessas duas crianças foi inusitada, pois esperava que elas desistissem de jogar diante do sucessivo fracasso.

Carol teria desistido, pois tomava fracassos sucessivos como atestado de “burrice”, como confirmação de que não era inteligente. Esse é o típico comportamento de quem tem mindset fixo, ou seja, acredita que a inteligência é nata.

Quem tem mindset fixo quer evitar todo o tipo de fracasso, pois seria uma exposição ao ridículo. Mas quem acredita que a inteligência é fruto de grande esforço, dedicação e persistência, tem mindset flexível, isto é, encara os desafios como oportunidades de aprendizagem para alcançar o sucesso.

Vocês já podem compreender, neste momento, por que dizer às crianças e jovens que são inteligentes pode causar o efeito inverso ao que esperamos. Isso cria um mindset fixo que limita as pessoas no enfrentamento de pequenos fracassos que poderiam ser fontes de aprendizados necessários ao sucesso.

Alguns filósofos [...] afirmam que a inteligência de um indivíduo é uma quantidade fixa, uma quantidade que não pode ser aumentada. Devemos reagir e protestar contra esse pessimismo brutal. [...] Com a prática, o treinamento e, acima de tudo, o método, somos capazes de aperfeiçoar nossa atenção, nossa memória e nossa capacidade de julgamento, tornando-nos literalmente mais inteligentes do que éramos antes. (BINET; 1975. p. 105-107)

Talvez você se surpreenda em saber que Alfred Binet, inventor do teste de QI defendia precisamente essas ideias. Quando criou esse teste, ele não queria classificar as crianças, mas pretendia identificar quais delas não estavam obtendo êxito no aprendizado a fim de criar novos programas educativos para recuperá-las. Portanto, Binet acreditava que a educação e a prática eram capazes de produzir mudanças no nível da inteligência.

O grande problema é que esses testes de QI passaram a ser utilizados por instituições para classificar os melhores e os piores, a fim de selecionar os mais inteligentes na competição por vagas existentes.

Felizmente, as pesquisas atuais da Neurociências comprovam que há um intercâmbio constante entre os fatores genéticos e os estímulos do meio que cooperam entre si para o desenvolvimento do cérebro, ao longo de toda a vida, ampliando permanentemente os níveis da inteligência humana.

Mas o que tudo isso tem a ver com o desempenho dos estudantes? Durante os meus atendimentos de coaching, trabalhando com o nicho educacional acadêmico, deparei-me com estudantes que procrastinavam permanentemente. Eles muitas vezes travavam na escrita e não conseguiam avançar. Com isso, colocavam-se em situações de risco, como perder uma bolsa de estudos ou não finalizar a pós-graduação.

Investigando sobre o que os bloqueava, identifiquei que muitos tinham medo de fracassar e que este medo vinha de um mindset fixo, construído ao longo das suas vidas. Pessoas dominadas por esse mindset perdem oportunidades de aprender e se sentem rotuladas por um fracasso, ou desanimam diante da exigência de um grande esforço.

Meu papel como coach, quando identifico em um estudante o mindset fixo, é elevá-lo a condição de um mindset de crescimento, fazendo-o compreender que é possível aprender determinadas habilidades e que as tarefas, quando árduas, têm o poder de promover mudanças.

Oriento-lhes a assistirem filmes e lerem histórias de pessoas famosas e de sucesso, como as de Albert Einstein, Wolfgang Amadeus Mozart, Charles Darwin e Stephen Hawking.

Einstein não era considerado inteligente. Aliás, era um dos piores alunos da sua classe. Suas pesquisas foram consideradas inconsistentes durante muito tempo. Porém, ele tinha a tenacidade do mindset de crescimento, não se deixando abater pelo fracasso. A cada negativa, ele se aprofundava mais para tornar consistente sua argumentação.

Mozart levou mais de dez anos trabalhando para produzir as obras que hoje admiramos. Darwin também dedicou anos de trabalho, centenas de debates com colegas e mentores antes de conseguir produzir a obra prima que o consagrou como pesquisador – “A Origem das Espécies”.

E o que dizer de Hawking? Você conhece a história do maior físico de todos os tempos? Ele tinha um mindset de crescimento, não desistia, não tinha medo de lançar suas ideias e nem das críticas. Foi assim que desenvolveu a teoria dos buracos negros unindo duas teorias aparentemente contraditórias: a relatividade geral e a mecânica quântica.

Um filme que mostra o papel da educação na construção do mindset de crescimento, e que recomendo assistir, é “Mãos Talentosas”. Trata-se da história do Dr. Ben Carson, médico cirurgião com fama mundial. A obra conta como a mãe de Ben construiu o mindset de crescimento que lhe deu a coragem para superar todos os fracassos e preconceitos.

O mindset fixo enche a mente das pessoas com pensamentos perturbadores, cria o medo da rejeição e torna o esforço e a dedicação desagradáveis, o que gera estratégias de aprendizado inferiores, limitando as realizações.

No mindset de crescimento, você não precisa achar que é competente para realizar algo. O que você precisa é ter prazer no que faz e dedicar-se com afinco, sem medo de fracassar. Todos os cases acima citados nos ensinam a força de ter um forte objetivo, foco e determinação.

Aos pais e professores fica a recomendação para construir um mindset de crescimento: substitua o “como você é inteligente” por “como você é esforçado e dedicado”.

Esta é a chave para o sucesso: faça as crianças e os jovens acreditarem que o sucesso depende de muito esforço, dedicação e perseverança. A busca é mais importante do que os resultados.

A essa altura você já deve ter percebido por que ter mindset de crescimento é fundamental para avançar na pós-graduação. Essa atividade requer muita transpiração, dedicação e esforço − características de pessoas com esse tipo de mindset.

Cultive um mindset de crescimento: não desista diante das dificuldades, encare cada uma delas como oportunidades para seu crescimento, não desanime, vá em frente, com determinação e coragem.


Referências

BINET, Alfred. Modern Ideas about children. Trad, Suzanne Heisler. Menlo Park AC, 1975.

DWECK, Carol. mindset: A nova psicologia do sucesso. Trad. S Duarte – 1ª. Ed. São Paulo: Objetiva, 2017.

A brilhante história de Stephen Hawking!  clique aqui

História de Superação Albert Einstein.  clique aqui

Mãos Talentosas.  clique aqui

O Universo de Stephen Hawking.  clique aqui